Marcas de vinhos portuguesas

Marcas de vinhos portuguesas Um possível guião para um filme com… ‘bom gosto’

De entre as muitas histórias sobre marcas de vinhos portuguesas de qualidade superior, muitas se destacam por um sem fim de idiossincrasias e peculiaridades. Algumas carregam mais passado do que outras, mais histórias curiosas, um pouco mais de sorte e de acaso, mais ou menos vinhos premiados, uma dose extra de notas de paixão e até aromas de inspiradoras aventuras. Episódios protagonizados por antepassados românticos e temerários, como nos parecem todos os que ousaram ser diferentes em tempos que já lá vão. Imaginamos tudo isto porque, por norma, as marcas de vinhos portugueses mais prestigiadas partilham e acompanham a formação e crescimento de uma família, de um clã, nascidos todos – vinha e gentes – da mesma terra, partilhando uma mesma casa, que todos abriga ao longo dos séculos. Paredes que escutaram os festejos de uma boa colheita e os temores da intempérie. Inventamos tudo isto ainda porque de entre o difícil e complexo mundo da agricultura, a vitivinicultura é a produção que sugere mais nobreza e complexidade e que, aos leigos, surge como aquela que implica maior entendimento com a Natureza, mas também maior conhecimento científico, maior domínio sobre os elementos, maior intuição e até, supomos, segredos que recuam séculos no calendário.

 

E o Óscar de melhor argumento vai para…

No meio de tantos guiões que a maioria das marcas de vinhos nacionais possibilitaria, destaca-se indubitavelmente o da família Melo, mais precisamente o da mais recente herdeira a agarrar o negócio da família: Julia Kemper. Para efeitos dramáticos poderíamos começar no passado, com recurso a artísticos flashbacks, recuando a qualquer um dos séculos a que a família se dedica à produção de vinho. A história, porém, teria sempre de se centrar na inesperada Julia Kemper, que dá hoje nome a alguns dos vinhos que mais se destacam de entre as atuais marcas de vinhos portuguesas dentro e fora de portas.

 

Características próprias do vinhedo, a qualidade dos terroirs, o ancestral conhecimento da terra, da uva e dos métodos de produção, o visível respeito pelos ecossistemas e pelas suas gentes, que desde sempre se dedicam à vinha e ao vinho, o amor ao Dão, cujo clima tudo torna possível, e o compromisso com uma produção sustentável e ecológica, sem esquecer de mencionar a qualidade das casta e dos vinhos, cabeças de cartaz em pódios de todo o mundo dão corpo e sustento à história. Todavia, a inspiração vem toda da personagem principal: Julia Kemper. Uma mulher cosmopolita, citadina e de hábitos urbanos, que trocou a toga de advogada pelo prazer de pisar a uva e criar vinhos na quinta dos seus antepassados, acedendo finalmente ao apelo do pai, que a elegeu como sua fiel sucessora. Nada mau enquanto sinopse, verdade? O final não tem ainda fim à vista, mas para já a soma faz-se de parcelas de boa terra, dedicação e sucesso de que são prova os muitos vinhos que Julia desenvolveu em nome próprio, e que entraram diretamente para a lista dos mais premiados e bem-sucedidos.

 

Um fator a explorar seria claramente a filosofia de todo o projeto desde que Julia nele agarrou, assente na agricultura natural, biológica e biodinâmica. O enredo tiraria ainda partido de um dos segredos da Quinta do Cruzeiro, a importância da adega familiar no sucesso dos vinhos Julia Kemper – um menu já com 13 entradas de peso e que contempla vinho tinto, branco e rosé. Um edifício, de sólida pedra, que tem testemunhado esforços, métodos e engenho, e que foi remodelado em 1950, exatamente um século depois do seu nascimento. Descarga gravitacional, lagares de granito e cubas de cimento, onde cada casta encontra o seu ‘lagar’ e que em breve contará com os préstimos de uma lagareta ancestral, uma inesperada descoberta na quinta do Dão, onde Julia passa inevitavelmente grande parte do seu tempo, são temas a ser explorados. De tudo isto se faz um projeto sério e ousado e de tudo isto nascem os vinhos Julia Kemper, marca incontornável no universo dos rótulos portugueses.

 

Não sabemos ainda se a história chegará a Hollywood, mas sabemos já que tem potencial para isso. Guionistas não faltarão. Alguém?


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